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A Astuta Manobra do Cruzeiro na Contratação de Wanderson: Lições para o Mercado
Por Redação Raposa Azul em 04/03/2025 15:01
A Chegada de Wanderson ao Cruzeiro: Uma Operação Estratégica
O Cruzeiro Esporte Clube surpreendeu o mercado ao anunciar a aquisição do atacante Wanderson, de 30 anos, ex-Internacional. A transação, aparentemente simples, revela uma estratégia financeira complexa e demonstra a capacidade da diretoria celeste em superar obstáculos e concretizar seus objetivos. A negociação bem-sucedida contrasta com a tentativa frustrada do Palmeiras, evidenciando diferentes abordagens na gestão de dívidas e na busca por reforços.
Wanderson, ao desembarcar em Belo Horizonte, descreveu o acerto como "rápido", reconhecendo os interesses convergentes de ambos os clubes. "Aconteceu tudo muito rápido. A gente sabia que tinha apenas um dia a mais, claro que a gente entende o lado do Inter, mas era uma negociação que era bom para os dois lados, tanto para o Inter quanto para o Cruzeiro ", declarou o atacante, demonstrando satisfação com o projeto apresentado. "Quando o Cruzeiro me apresentou o projeto, o que eles queriam comigo, eu não pensei duas vezes e estou muito feliz e animado para começar logo", completou.
O jogador, versátil e ambidestro, chega para suprir uma carência identificada pelo técnico Leonardo Jardim. "Me falaram que é uma posição que está um pouco carente. Estou vindo para ajudar, jogo tanto pela esquerda quanto pela direito, estou feliz de estar aqui, espero poder ajudar da melhor forma, trazendo um bom futebol e com certeza para conquistar grandes coisas aqui no Cruzeiro ", afirmou Wanderson, demonstrando otimismo e disposição para contribuir com o clube. O contrato do atacante se estende até dezembro de 2027, sinalizando a confiança da diretoria em seu potencial.

O "Perdão" da Dívida como Moeda de Troca
O cerne da negociação entre Cruzeiro e Internacional reside na compensação de uma dívida preexistente. O clube gaúcho devia R$ 7 milhões ao Cruzeiro pela aquisição do atacante Wesley, em 2024. Diante da pendência, a diretoria celeste acionou o Internacional na Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD), buscando uma solução para o impasse. A CNRD, órgão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atua como mediadora em conflitos, oferecendo uma alternativa ao sistema judiciário.
A solução encontrada foi engenhosa: o Internacional liberou Wanderson para o Cruzeiro em troca do perdão da dívida milionária. Adicionalmente, o clube gaúcho tem a garantia de receber um jogador por empréstimo, consolidando um acordo mutuamente benéfico. Conforme revelado em entrevista ao programa "Os Donos da Bola", da TV Band Minas, o Cruzeiro se comprometeu a ceder um jovem talento ao Internacional. "Nós temos o compromisso de emprestar um jogador para eles (Internacional) para matar essa dívida. É um garoto, que se tivermos disponível. Se não tiver, vamos pagar uma quantia irrisória, que não vamos falar", declarou um representante do Cruzeiro .
Paralelo com a Tentativa do Palmeiras e a Reclamação de Abel Ferreira
Curiosamente, o Palmeiras também tentou utilizar uma estratégia similar para contratar Wanderson no início de 2025. O clube paulista buscava abater uma dívida do Internacional referente à contratação do meia-atacante Bruno Tabata, concretizada em agosto de 2024 por 2,2 milhões de dólares (aproximadamente R$ 11,9 milhões à época), correspondentes a 80% dos direitos econômicos do jogador.
A negociação entre Palmeiras e Internacional, contudo, não prosperou. A diretoria gaúcha, além do abatimento da dívida, exigiu um montante adicional em dinheiro, proposta prontamente rejeitada pela cúpula palmeirense. O técnico Abel Ferreira, sem citar nomes, expressou sua insatisfação com a postura de clubes brasileiros que, apesar de possuírem pendências financeiras com o Palmeiras, dificultam as negociações. "Para um treinador, é um orgulho estar num clube que negocia com Chelsea, com Manchester City, com Real Madrid, com Barcelona (...) É um sinal que são parceiros, que respeitam, acreditam e confiam no que faz o Palmeiras", afirmou o treinador.
Em contrapartida, Abel Ferreira lamentou a falta de reciprocidade por parte de alguns clubes nacionais. "Ao contrário do que fazem alguns clubes brasileiros, com quem não conseguimos negociar. Eles nos devem dinheiro e não conseguimos negociar com eles. É isso que é uma pena: não criarmos uma parceria para que todos consigam pagar suas dívidas. (...) Muitas vezes eles não querem negociar jogadores conosco, e nem pagam o que nos devem", desabafou o técnico, evidenciando a complexidade das relações financeiras no futebol brasileiro.

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